
A Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (Proeg) da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) promove, nesta terça (31) e quarta-feira (1º), a 3ª edição do Seminário de Formação Continuada das Comissões de Heteroidentificação e de Verificação. O evento ocorre no Auditório Edival dos Reis, na Cidade Universitária, em Cáceres, com o objetivo de qualificar a fundamentação técnica e ética dos membros que atuam na validação do acesso às vagas reservadas para negros, indígenas e pessoas com deficiência.

Organizado pela Diretoria de Gestão de Ações Afirmativas, o seminário foca na segurança jurídica dos processos seletivos. A capacitação é essencial para garantir que o direito à educação via cotas seja efetivado estritamente a quem faz jus aos critérios legais.
O professor convidado Adilson Pereira dos Santos, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), um dos palestrantes do seminário, ressaltou a necessidade de embasamento para o trabalho das bancas. “Nós precisamos estar sempre buscando nos fundamentar para que tenhamos, inclusive, argumentos para justificar por que estamos fazendo a heteroidentificação”, enfatizou Adilson. O palestrante convidado também reforçou que a formação continuada “é o momento em que as pessoas que estão atuando no cotidiano se atualizam em relação aos debates que estão sendo postos”, assegurou o professor.

Para o professor Paulo Alberto Vieira dos Santos, da Unemat, também palestrante, a formação deve gerar resultados práticos na estrutura acadêmica. “A ideia de uma formação continuada como essa é combater essa reprodução de discriminação. Toda a formação continuada deve corresponder a uma ação concreta, a uma prática pedagógica, a uma mudança de matriz curricular, a um pacto ético e político pela superação do racismo”, destacou Paulo Alberto.
A profissional técnica e uma das organizadoras do evento, Paula Mendes, reforçou que a iniciativa ganha relevância diante do cenário nacional de questionamentos às políticas de reparação. “O sistema de cotas vem para ser uma política reparatória, para corrigir uma injustiça que o Estado brasileiro conciliou durante muito tempo”, explicou Paula, que exemplifica que algumas assembleias estaduais têm apresentado projetos de abolição de cotas, barrados pela Justiça. “É um retrocesso, entendendo que o sistema de cotas vem para ser uma política reparatória, para corrigir uma injustiça histórica”, pontuou a técnica.

A programação segue nesta quarta-feira, incluindo mesas-redondas sobre identidade e pertencimento, oficinas de operacionalização e rodas de conversa para avaliação das perspectivas das comissões.

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