UNEMAT FAZ PESQUISA

Instituições globais medem poluição do ar com aeronave-laboratório em Mato Grosso

Unemat participa de missão que sobrevoa biomas do Estado para mapear gases para compreender aquecimento global

Por Nataniel Zanferrari
07/10/2026

Estudo internacional reúne 120 pesquisadores, sendo 60 alemães e 60 brasileiros, para analisar a dinâmica e o fluxo dos gases de efeito estufa (Foto: Moisés Bandeira)

Uma parceria do Centro Aeroespacial Alemão (DLR) com diversos órgãos brasileiros, incluindo a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), realiza a missão científica internacional HALO / CoMet 3.0 Tropics. A operação utiliza uma aeronave comercial adaptada como laboratório aéreo para medir e mapear concentrações de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) sobre os biomas Pantanal, Cerrado e Amazônia. A intenção é identificar quais gases são de origem natural e quais são gerados por humanos, e também a quantidade de gases geradas em Mato Grosso e quais vêm de outros estados.

Operação utiliza aeronave comercial adaptada como laboratório aéreo para medir e mapear concentrações de dióxido de carbono e metano sobre os biomas Pantanal, Cerrado e Amazônia (Foto: Moisés Bandeira)

O estudo internacional reúne 120 pesquisadores, sendo 60 alemães e 60 brasileiros, para analisar a dinâmica e o fluxo dos gases de efeito estufa. As medições atmosféricas são integradas a amostragens diretas em solo e modelos estatísticos regionais para diferenciar emissões naturais de poluições geradas por atividades humanas, como queimadas e agropecuária.

HALO é a sigla para High Altitude and Long Range Research Aircraft: Aeronave de Pesquisa de Alta Altitude e Grande Alcance, em português. Trata-se de uma aeronave alemã Gulfstream G550 modificada para funcionar como um laboratório aéreo capaz de atingir a estratosfera.

CoMet significa Carbon Dioxide and Methane Mission, em português: Missão para Dióxido de Carbono e Metano. É a denominação técnica do projeto de pesquisa focado no mapeamento e monitoramento da dinâmica desses dois gases do efeito estufa na atmosfera. A adição do “3.0 Tropics” indica a terceira fase do programa, voltada especificamente para regiões tropicais do planeta.

Medições atmosféricas são integradas a amostragens diretas em solo e modelos estatísticos regionais para diferenciar emissões naturais de poluições geradas por atividades humanas, como queimadas e agropecuária. (Foto: Moisés Bandeira)

“Essa região do Pantanal é muito crítica porque são as terras alagadas, com muita emissão de metano e dióxido de carbono. Quantificar essa emissão e usar nos modelos nos ajuda a diferenciar, por exemplo, quando uma queimada não é local e vem de fora. Muita coisa é trazida de outros países e estados, aumentando a quantidade de gás metano e CO2 que não é local. Essas medidas serão fundamentais para o Estado ter noção do que é causado por humanos e do que é natural na região”, conta o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Dirceu Herdies.

A estrutura de pesquisa no Estado integra os programas de pós-graduação da Unemat em Ciências Ambientais (PPGCA), Geografia (PPGGeo) e Gestão e Regulação de Recursos Hídricos (ProfÁgua). A equipe da Universidade atua auxiliando no planejamento de voo, nas coletas terrestres e no processamento dos dados coletados, que serão compartilhados entre as instituições participantes e disponibilizados à população.

Ernandes Sobreira, professor e pesquisador da Unemat: “O Pantanal é a maior área alagável do mundo, com mais de 10 mil lagos, e tem uma contribuição muito grande na emissão natural de metano, que é um dos focos deste projeto” (Foto: Moisés Bandeira)

“O Pantanal é a maior área alagável do mundo, com mais de 10 mil lagos, e tem uma contribuição muito grande na emissão natural de metano, que é um dos focos deste projeto. Associados a esses gases naturais, temos os gerados pelo ser humano, que formam uma bomba de gases, piorando o efeito estufa”, explica Ernandes Sobreira, professor e pesquisador da Unemat.

Andreas Fix (em pé), coordenador internacional da missão e pesquisador do Centro Aeroespacial Alemão: “Sem o apoio dos parceiros brasileiros, uma campanha como esta não seria possível” (Foto: Moisés Bandeira)

De acordo com o coordenador internacional da missão e pesquisador do Centro Aeroespacial Alemão (DLR), Andreas Fix, a infraestrutura e a inteligência ecológica fornecidas localmente pela Unemat e instituições parceiras são pré-requisitos fundamentais para a execução do estudo. “Sem o apoio dos parceiros brasileiros, uma campanha como esta não seria possível. Precisamos do suporte em todos os aspectos: na logística, no conhecimento sobre a ecologia local e a dinâmica dos incêndios, além dos dados meteorológicos essenciais para o planejamento dos nossos voos”, enfatiza Andreas.

Além da Unemat, a articulação científica em solo mato-grossense conta com a atuação conjunta da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), dos institutos nacionais de Pesquisas Espaciais (INPE) e de Pesquisa do Pantanal (INPP), das secretarias de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci-MT) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat). “Esta parceria garante que a tecnologia de ponta aplicada na missão seja convertida em políticas públicas e inovação local”, reforça o secretário adjunto de Desenvolvimento da Seciteci-MT, Rodrigo Zanin.


Assessoria de Comunicação - Unemat

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