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A tragédia do homo sacer na dramaturgia de Plínio Marcos

Autor(es)/Organizador(es): Alzinéia Monteiro de Oliveira

Nº de páginas: 244

Ano de publicação: 2026

Resumo da Obra:

A presente obra investiga a manifestação e a potência do drama trágico no teatro de Plínio Marcos, defendendo a tese original da existência da tragédia mesmo após o século XX, em contraponto às teóricas visões canônicas - a exemplo de a morte da tragédia, de George Steiner, que restringem o efeito trágico à ruína de homens aristocráticos ou de alta estirpe. O estudo articula a teoria da tragédia moderna de Raymond Williams para legitimar a experiência funesta e o sofrimento dos sujeitos marginalizados pelo poder hegemônico. Por meio da análise imanente e crítica de Quando as máquinas param, O abajur lilás, Dois perdidos numa noite suja e Querô, uma reportagem maldita, revela-se como o capitalismo e os aparelhos ideológicos de Estado invadem os espaços da intimidade e coisificam o indivíduo. Nesses cenários cênicos claustrofóbicos e de cortante crueza naturalista, os anti-heróis plinianos emergem como “vidas nuas” à luz dos conceitos de Giorgio Agamben: seres desprovidos de direitos fundamentais, aprisionados em um contínuo estado de exceção e descartados como escombros pela engrenagem social. O trágico pliniano configura-se, assim, na tensão irresolúvel entre a pulsão de resistir e a impossibilidade de superar a miséria, culminando na inevitável banalização da morte. Contudo, mesmo nesse subsolo de degradação e silenciamento, a pesquisa demonstra que a arte atua como via de catarse e redenção simbólica, convertendo o palco teatral em um bisturi analítico que resgata e institucionaliza a memória dos invisibilizados.

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